CÂNCER DE ESTÔMAGO – ADENOCARCINOMA GÁSTRICO

Câncer de estômago

Os tumores malignos mais encontrados no estômago são o adenocarcinoma (90%), linfomas (6%) e os sarcomas (4%), sendo dificilmente encontrado em pessoas menores de 40 anos. A ocorrência aumenta com o passar dos anos, obtendo-se o maior número de casos por volta dos 70 anos. Prevalece no sexo masculino numa relação de 3:1, de acordo com o INCA são esperados 15 novos casos a cada 100 mil homens e 8 novos casos para cada 100 mil mulheres.

 

 

Causas:

– Fatores genéticos – fortalecimento de oncogenes, desligamento de genes que suprimem os tumores e instabilidade de microssatélites de DNA (genes APC e p53).
– Fatores do ambiente: Infecção crônica por Helicobacter pylori, alto consumo de nitrosaminas.

Fatores de risco:

– Infecção por Helicobacter pylori
– Grande ingestão de alimentos conservados em salmoura, defumados, enlatados ou mal armazenados
– Tabagismo
– Alcoolismo
– Gastrite crônica atrófica/metaplasia intestinal
– Anemia perniciosa
– Pólipos adenomatosos
– Grupo sanguíneo A
– Fatores da família (hereditários)
– Baixo nível socioeconômico
– Esôfago de Barrett
– Gastropatia hipertrófica ou Doença de Ménétrier
– Gastrectomia subtotal

Sinais e Sintomas:

– Nenhum ou poucos sintomas no início, com expressões clínicas vagas e não específicas.
– Se o tumor se penetrar na cárdia, é mais comum a dificuldade de engolir. Caso o tumor invada o corpo do estômago há sintomas como de digestão imperfeita.

– Perda de peso
– Não tolerância à carne
– Dor na barriga parecida com a da úlcera péptica
– Tumor que se palpa no epigástrio
– Linfonodo que se palpa perto do umbigo
– Anorexia, enjôos e sensação de estômago cheio
– Dificuldade ao engolir
– Sangramento intestinal alto
– Linfonodo que se palpa acima da clavícula
– Nódulos ou empastamento no fundo de saco de Douglas quando se faz o toque retal
– Ovários aumentados
– Caquexia, anemia

Metástases por ampliação direta ( para omentos, fígado, pâncreas, baço, cólon transverso ); por via linfática (local – perigástrica; regional – tronco celíaco, hepática comum, gástrica esquerda, esplênica; a distância – linfonodos supraventriculares, no umbigo e axila); por via hematogênica (fígado, pulmões, ossos, SNC ) e peritoneal (disseminada e pélvica: ovário e reto).

Diagnóstico diferencial:

– Outras causas que cursam com dificuldade para engolir e má digestão.
– Tumores do aparelho digestivo ( esôfago, fígado, vias biliares, pâncreas e cólon).
– Tuberculose, sífilis e amiloidose (que podem se manifestar como linite plástica).

Exames para o câncer de estômago:

– Endoscopia digestiva alta com coleta de material para ser examinado em lâmina e biópsia: confirma o diagnóstico e o tipo de tumor.
– Raio X do esôfago, estômago e duodeno (SEED): exatidão diagnóstica entre 90 e 95%. Lesão com base lisa e normal insinuam benignidade, por outro lado, lesões com base e bordas irregulares sugerem malignidade. Não tem valor isoladamente porque não realiza biópsia. Todas as ulcerações na parede do estômago devem ser biopsiadas para fazer diagnóstico diferencial com câncer.
– Ultrassonografia endoscópica: importância grande para avaliar o grau de evolução do tumor.
– Ultrassom de abdômen: pouca importância.
– TC de abdômen, pelve e tórax: permite avaliação de acometimento de outros órgãos próximos ao estômago (especialmente fígado e pulmão) e linfonodos.
– Laparoscopia pré ou perioperatória com lavado peritoneal: pode evidenciar metástase em 30% dos pacientes com doença considerada localizada pelo estadiamento clínico.
– CEA, CA 19-9, e CA 125 (são marcadores tumorais): Importância para acompanhamento pós-operatório, CA 125 alto prediz invasão de peritôneo.
– Exame citológico e/ou histopatológico: obtido através de análise se biópsias a partir de nódulos metastáticos ou paracentese (coleta de fluido do abdômen) em pacientes com ascite. Imunohistoquímica pode insinuar o sítio primário.

Como se comprova o diagnóstico?

Através dos dados clínicos somados aos exames de imagem, exame citológico e/ou histopatológico (este de grande importância).

Pode complicar?

Sim. Em estágios mais avançados o câncer de estômago pode provocar:

– Metástases (para o fígado, cérebro e pulmão).

– Perda de peso

– Entupimento do piloro (trajeto do intestino)

Como tratar do paciente?

Primeiramente devemos incrementar a alimentação do paciente e endireitar alterações secundárias a diarréia e vômitos. Talvez haja a necessidade de uso de sonda nasoenteral ou gastrostomia e até nutrição parenteral (pela veia).

O tratamento endoscópico pode ser feito na fase precoce da doença.

O tratamento cirúrgico consiste em retirar parte ou todo o estômago e linfonodos. Pode ser necessário retirar parte do pâncreas e baço além de outros órgãos que possam estar envolvidos.

Os tumores do estômago podem responder à quimioterapia (QT) com melhora da sobrevida em doentes com tumores ressecáveis em alguns estágios, na maioria das associando-se a radioterapia (RT). A RT somente não é eficiente.

Tumores irresecáveis podem ser submetidos à QT como tratamento inicial, havendo possibilidade deste tumor tornar-de ressacável após QT, com ou sem RT.

Os doentes com tumores que apresentam metástases também devem realizar QT como tratamento paliativo.

Considerando-se o tratamento paliativo, a RT pode ajudar no sangramento, obstrução ou dor. Há ainda o laser endoscópico ou próteses nos casos de obstrução.

Como o paciente evolui e qual o seu prognóstico?

Depende da fase em que o câncer foi diagnosticado. A cirurgia realizada precocemente é a única possibilidade de cura.

Infelizmente, como o câncer de estômago na maioria das vezes é diagnosticado tardiamente, costuma estar em estádio avançado, conseguindo-se sobrevida em 5 anos inferior a 20%.

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