
A desnutrição é um problema clínico comum que pode resultar em sérias consequências, incluindo internações hospitalares prolongadas, complicações, declínio funcional e até mortalidade. Para ajudar pacientes que não conseguem atender suas necessidades nutricionais apenas com a alimentação, os suplementos nutricionais orais (SNO) se tornam essenciais. Apesar da eficácia comprovada dos SNO, a sua utilização ainda apresenta inconsistências, principalmente devido à falta de diretrizes claras. Surge, então, a dúvida entre os profissionais de saúde: como usar SNO na prática clínica de forma eficaz para maximizar os benefícios para os pacientes?
Em 2023, a Sociedade Turca de Nutrição Enteral e Parenteral Clínica (KEPAN) elaborou um consenso visando esclarecer essa lacuna. Um estudo posterior teve como objetivo aprimorar a validade e aplicabilidade internacional desse consenso, envolvendo 22 clínicos de 13 países e 387 referências. O resultado foi um conjunto de 22 perguntas e recomendações. A seguir, apresentamos os principais destaques deste material.
Quando considerar o uso de suplementos nutricionais orais (SNO)?
Os SNO devem ser considerados para indivíduos que:
- Podem ingerir nutrientes por via oral;
- Não conseguem consumir nutrientes suficientes para atender às suas necessidades nutricionais;
- Estão diagnosticados com desnutrição ou em risco de desenvolvê-la.
Como integrar SNO na alimentação do paciente?
A recomendação é que os SNO sejam utilizados como um lanche entre as refeições principais, após a avaliação das necessidades nutricionais específicas do paciente. Dependendo da tolerância e das necessidades, o consumo de 2 a 3 caixas (600 a 900 kcal) de SNO por dia é sugerido. É importante ressaltar que, se consumidos como substitutos de refeições, pode ocorrer uma diminuição do apetite e da ingestão alimentar durante as refeições. Portanto, o ideal é consumir os SNO aos poucos, em intervalos frequentes, sempre respeitando um intervalo de pelo menos 2 horas antes da próxima refeição.
Como aumentar a tolerância aos SNOs?
Um desafio comum no uso de SNO é a aversão ao sabor e à consistência do produto. Para melhorar a aceitação, é fundamental considerar as preferências individuais dos pacientes. Caso não consigam atingir a quantidade adequada, os SNOs com sabores variados são uma boa alternativa. Além disso, o sabor pode ser enriquecido com purês de frutas como banana ou morango, suco de limão, cacau, ou especiarias como gengibre, canela e cardamomo. É importante ter cuidado especial com pacientes que sofrem de mucosite devido a tratamentos como quimioterapia, pois algumas opções de enriquecimento podem ser dolorosas.
Quando e como monitorar a adesão aos SNOs?
A avaliação da adesão ao uso de SNO deve ser realizada já na primeira semana após o início do tratamento, seguida de uma monitoração a cada 2 a 4 semanas nos primeiros 3 meses. Para pacientes em uso prolongado de SNO, o acompanhamento pode ser feito em intervalos de 3 a 6 meses. Durante esse monitoramento, é essencial avaliar:
- Apetite e ingestão oral;
- Diários alimentares;
- Atendimento das necessidades diárias de energia e proteína;
- Estado nutricional, incluindo peso e medidas antropométricas;
- Capacidade funcional;
- Alterações no estado clínico geral;
- Necessidade de alimentação por sonda.
Como usar SNOs em pacientes com doenças concomitantes?
Quando os pacientes apresentam condições de saúde concomitantes que contribuem para a desnutrição, é necessário decidir entre o uso de SNOs específicos para a doença ou SNOs padrão. As alterações dietéticas devem ser feitas de acordo com as recomendações nutricionais específicas baseadas em diretrizes clínicas. Para mais informações, consulte a tabela de Suplementos Nutricionais Orais (SNOs) para condições específicas.
Como contornar as complicações gastrointestinais pelo uso de SNO?
As complicações gastrointestinais, como náuseas, vômitos, distensão abdominal e diarreia, são problemas comuns no uso de SNO. Nesses casos, é fundamental revisar o conteúdo, a dose, a osmolaridade e as condições de armazenamento do SNO. Para pacientes com náuseas e/ou saciedade precoce, a utilização de medicamentos procinéticos pode ser considerada, tendo em mente seus possíveis efeitos colaterais. Se a diarreia persistir após a exclusão de outras causas, recomenda-se reduzir a quantidade do produto e aumentar o tempo de ingestão, além de optar por fórmulas com fibras ou menor osmolaridade. Quanto à constipação, deve-se considerar a imobilidade e a redução da motilidade intestinal, frequentemente resultantes do uso de sedativos ou opioides. O tratamento deve incluir aumento da ingestão de líquidos, redução da densidade da fórmula ou transição para fórmulas enriquecidas com fibras. Se essas estratégias não forem eficazes, o uso de amaciantes de fezes ou estimulantes intestinais pode ser justificado.
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Para acessar o material completo, que inclui detalhes metodológicos e comentários sobre cada uma das recomendações, consulte a fonte original.
Referência: Gulistan Bahat, Ezgi Pinar, Osman Abbasoglu, Mehmet Akif Karan, Savas Ozturk, et al. Nutritional care using oral nutritional supplements: 22 questions every clinician asks—Answered by global experts in a Delphi consensus study, Clinical Nutrition, Volume 57, 2026, 106552, https://doi.org/10.1016/j.clnu.2025.106552.
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