Coçar os olhos é uma prática comum que muitos realizam sem pensar nas consequências. No entanto, especialistas alertam que essa ação pode agravar doenças oculares e causar sérios danos à visão. Segundo médicos, coçar os olhos pode aumentar a pressão sobre a córnea, potencializando condições como ceratocone e glaucoma, que podem levar à perda de visão irreversível.
Consequências do ato de coçar os olhos
Embora seja difícil evitar completamente o surgimento de doenças oculares, é possível tratá-las antes que comprometem gravemente a visão do paciente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, dos cerca de 2,2 bilhões de casos de deficiência visual no mundo, pelo menos um bilhão poderiam ter sido prevenidos ou tratados.
Coçar os olhos de forma intensa não é recomendável, pois a pressão exercida sobre essa área pode resultar em deslocamento da retina, o que representa um risco significativo para a saúde ocular. Além disso, se a coceira é acompanhada de dor, é crucial prestar atenção, pois isso pode ser um sinal de alerta. A oftalmologista Dra. Nubia Vanessa Lima, do CBV-Hospital de Olhos, alerta que a dor ocular intensa pode estar relacionada a condições que ameaçam a visão e que exigem tratamento imediato. Nesses casos, esperar que os sintomas desapareçam sozinhos não é uma opção adequada; a busca por atendimento de emergência pode ser decisiva para preservar a visão.
Importância da prevenção
Além de evitar coçar os olhos, é fundamental manter cuidados regulares com a saúde ocular. O oftalmologista Antônio Sardinha, do Hospital dos Olhos de Cuiabá, enfatiza a importância de consultas periódicas com um especialista, especialmente para aqueles que têm histórico familiar de doenças oculares. Para pessoas com diabetes tipo 2, é recomendado realizar o exame de fundo de olho logo após o diagnóstico e repeti-lo pelo menos uma vez ao ano. Para diabetes tipo 1, o acompanhamento deve começar cerca de cinco anos após o diagnóstico.
Manter os níveis de glicose, pressão arterial e colesterol sob controle, não fumar e tratar a apneia do sono são hábitos que protegem diretamente os vasos e nervos dos olhos. Além disso, é essencial evitar o uso de colírios sem orientação médica, especialmente aqueles que contêm corticoides, pois podem agravar problemas oculares.
Identificando os grupos de risco
Os fatores de risco para doenças oculares variam conforme a patologia. O glaucoma, por exemplo, é uma das condições mais frequentes e afeta principalmente pessoas acima dos 40 anos, aquelas com histórico familiar, miopia alta e que utilizam colírios ou medicamentos com corticoides por longos períodos, além de indivíduos que sofreram traumas oculares.
No caso da retinopatia diabética, o tempo de diabetes, o controle inadequado da glicemia, hipertensão, colesterol elevado, doenças renais e tabagismo são fatores que aumentam o risco para o desenvolvimento dessa condição. Já na neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA), estão em maior risco pessoas com hipertensão, diabetes, apneia do sono e características anatômicas do olho, como um nervo óptico pequeno e estreito.
Tratamento das doenças oculares
Embora nem todas as doenças oculares possam ser prevenidas, é fundamental que sejam tratadas de forma adequada para evitar a perda total da visão. No caso de pacientes diabéticos, a realização de exames regulares do fundo do olho é crucial para detectar alterações na retina antes que afetem significativamente a visão. Para aqueles diagnosticados com glaucoma, a utilização correta dos colírios prescritos pelo médico e a realização de exames de acompanhamento são essenciais para o controle da doença.
Em suma, cuidar da saúde ocular envolve não apenas a prevenção através da evitação de comportamentos prejudiciais, como coçar os olhos, mas também o acompanhamento regular com profissionais de saúde. A conscientização sobre os sinais de alerta e a adoção de práticas saudáveis podem fazer uma diferença significativa na preservação da visão ao longo da vida.
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