
Gestão de custos em saúde: 5 erros a evitar
Em tempos de contenção orçamentária nas instituições de saúde, as decisões financeiras impactam diretamente a qualidade do atendimento e a segurança do paciente. Antes de implementar cortes, é crucial avaliar os efeitos clínicos, regulatórios e operacionais, em vez de focar apenas na redução imediata de custos. Neste artigo, abordaremos cinco erros clássicos que devem ser evitados ao gerenciar custos em saúde e apresentaremos ações práticas e ferramentas que podem ser aplicadas na sua clínica.
1) Demissões como primeira medida
É comum que gestores acreditem que cortar funcionários é a melhor maneira de reduzir custos. No entanto, as demissões podem incorrer em gastos legais significativos, tornando-se onerosas para a clínica.
Risco principal
A principal consequência é a perda de capacidade assistencial, além do know-how da equipe e do aumento do risco de eventos adversos devido à sobrecarga dos colaboradores restantes.
Por que isso acontece
A pressão por resultados financeiros rápidos leva muitos gestores a optarem por demissões, pois a redução da folha de pagamento é visível de imediato.
Consequências mensuráveis a considerar
- Diminuição do número de consultas por hora.
- Aumento no tempo de espera por atendimentos.
- Índices elevados de retrabalho, como exames repetidos.
- Custos diretos e indiretos relacionados ao turnover.
Alternativas recomendadas
- Reavaliar escalas de trabalho e jornadas.
- Realocar funções entre as equipes.
- Negociar reduções temporárias de jornada ou benefícios.
- Terceirizar serviços não essenciais.
- Avaliar o impacto total antes de decidir pela demissão.
2) Prejudicar a qualidade dos serviços em nome da economia
A qualidade do relacionamento com o paciente é fundamental para a fidelização. Reduzir investimentos em serviços pode levar à perda de clientes e, consequentemente, à diminuição da receita.
Risco principal
A curto e médio prazo, o principal risco é a perda de adesão dos pacientes e o aumento de eventos adversos que podem gerar custos superiores às economias obtidas.
Por que isso acontece
Cortes realizados sem indicadores de qualidade ou planos de monitoramento podem comprometer o atendimento.
Consequências mensuráveis
- Queda na satisfação do paciente, medida pelo NPS.
- Aumento nas consultas de retorno devido a erros ou omissões.
- Notificações ao conselho ou reclamações legais.
Alternativas recomendadas
- Definir KPIs clínicos mínimos antes de realizar cortes.
- Priorizar a redução de custos em áreas que não afetam diretamente o atendimento.
- Implementar um ciclo PDCA para monitorar os resultados após cortes.
3) Cortar verba de marketing sem avaliar o impacto
O setor de marketing muitas vezes é o primeiro a sofrer cortes em tempos de crise. No entanto, essa estratégia pode comprometer a captação de novos pacientes, afetando as receitas futuras.
Risco principal
A perda de novos pacientes pode resultar em uma queda de receita que supera a economia imediata obtida com os cortes.
Por que isso acontece
O marketing pode ser visto como um custo desnecessário quando a visão é de curto prazo.
Consequências mensuráveis
- Diminuição do volume de agendamentos.
- Aumento do custo por lead (CPL) ao retomar campanhas.
Alternativas recomendadas
- Cortar campanhas de baixo desempenho, mantendo os canais que trazem resultados.
- Investir em ações de retenção, como e-mails e lembretes.
- Medir o custo de aquisição de clientes (CAC) e o valor do tempo de vida do cliente (LTV) para orientar decisões.
4) Eliminar gastos com pessoal que afetam moral e desempenho
Em momentos de crise, gastos com funcionários são frequentemente considerados supérfluos. No entanto, essa percepção pode levar a um ambiente de trabalho insatisfatório, prejudicando a qualidade do atendimento.
Risco principal
A queda no desempenho da equipe pode resultar em absenteísmo e alta rotatividade.
Por que isso acontece
Gestores muitas vezes enxergam benefícios como custos sem impacto direto no cuidado ao paciente.
Consequências mensuráveis
- Aumento do absenteísmo e queda na produtividade.
- Perda de talentos importantes para a equipe.
Alternativas recomendadas
- Preservar itens que impactam diretamente a prática clínica.
- Adoção de ações de baixo custo que promovam o bem-estar dos colaboradores.
- Priorizar treinamentos que aumentem a eficiência da equipe.
5) Aplicar cortes iguais para todas as áreas
As clínicas são compostas por setores com diferentes demandas e gastos. Realizar cortes uniformes pode prejudicar áreas críticas e comprometer a operação.
Risco principal
Algumas áreas importantes podem sofrer excessivamente com cortes lineares.
Por que isso acontece
Uma abordagem simples facilita a gestão, mas ignora a diversidade das necessidades de cada setor.
Consequências mensuráveis
- Setores subfinanciados podem gerar gargalos assistenciais.
- Desbalanceamento operacional e ineficiência nos processos.
Alternativas recomendadas
- Realizar uma análise detalhada por centro de custo.
- Priorizar cortes em custos variáveis e contratos de baixa criticidade.
- Estabelecer planos de contingência para cada setor.
FAQ sobre redução de custos em clínicas
Quais controles de compliance manter? É fundamental manter registros adequados, validações de laudos, prontuários atualizados e garantir que contratos atendam à legislação.
Como medir o impacto clínico antes e depois de um corte? Defina KPIs estratégicos e monitore os resultados por ciclos de 30 a 90 dias, utilizando análises estatísticas para detectar possíveis pioras.
Quando a demissão é inevitável? Quando todas as alternativas viáveis foram testadas e a análise financeira mostra inviabilidade operacional.
Como avaliar a terceirização de serviços clínicos? Compare os custos totais de manter serviços in-house com os de terceirização e considere os riscos associados.
Quais são os riscos legais ao cortar recursos clínicos? Há riscos de notificações a conselhos profissionais e responsabilidade civil, portanto, é necessário consultar assessoria jurídica antes de implementar mudanças.
Como comunicar cortes para a equipe sem provocar pânico? A transparência é essencial; explique os motivos e ofereça suporte para dúvidas e participação na busca de soluções.
Como priorizar cortes entre áreas clínicas e administrativas? Utilize uma matriz de criticidade para guiar as decisões de cortes, priorizando áreas de menor impacto clínico.
Como calcular o custo real de manter um profissional in-house? Considere todos os custos diretos e indiretos, incluindo salários, encargos e benefícios, e compare com o custo de serviços terceirizados.
Conclusão
Reduzir custos na saúde não significa necessariamente comprometer a qualidade do atendimento. Antes de tomar decisões, é crucial analisar dados, mapear centros de custo, definir KPIs e testar alternativas com monitoramento adequado. A utilização de serviços de emissão de laudos médicos à distância pode ser uma solução eficaz para reduzir custos operacionais sem sacrificar a qualidade do atendimento.
Nota de Responsabilidade:Os conteúdos apresentados no MedOnline têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.