Obesidade Infantil Causas Riscos e Como Evitar com Sucesso

Obesidade infantil: causas, riscos e como evitar

A obesidade infantil é um problema de saúde pública que compromete o crescimento saudável das crianças e eleva o risco de doenças como diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Entre os principais fatores que contribuem para a obesidade infantil estão os maus hábitos alimentares, o excesso de tempo em frente às telas e a inatividade física. Este artigo abordará o que é a obesidade, suas causas, consequências e como prevenir essa condição nas crianças.

O que é obesidade?

A obesidade é definida, de forma simples, como o excesso de gordura corporal. No entanto, essa definição pode ser subjetiva, pois a quantidade de gordura considerada excessiva varia. Existem várias ferramentas para estimar o percentual de gordura corporal, como o método das dobras cutâneas e a bioimpedância elétrica, mas na prática, o índice de massa corporal (IMC) é o mais utilizado. O IMC relaciona o peso à altura e é calculado pela fórmula:

IMC = Peso (em quilos) ÷ altura² (em metros)

Por exemplo, um indivíduo que pesa 75 kg e tem 1,80 m de altura terá um IMC de 23,14 kg/m². As faixas de IMC são classificadas da seguinte forma:

  • Baixo peso: IMC menor que 18,5 kg/m²
  • Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m²
  • Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9 kg/m²
  • Obesidade grau I: IMC entre 30 e 34,9 kg/m²
  • Obesidade grau II: IMC entre 35 e 39,9 kg/m²
  • Obesidade mórbida: IMC maior que 40 kg/m²

O que é obesidade infantil?

A obesidade infantil é uma condição que requer avaliação especial, pois as crianças estão em crescimento constante. Para calcular o IMC infantil, utiliza-se a mesma fórmula, mas os resultados devem ser comparados a tabelas de percentis que consideram a idade e o sexo da criança. Por exemplo:

  • Um menino de 10 anos com IMC de 20 kg/m² está entre os percentis 85 e 90.
  • Uma menina de 6 anos com IMC de 19 kg/m² está acima do percentil 95.

As interpretações são as seguintes:

  • Baixo peso: abaixo do percentil 5
  • Peso normal: entre o percentil 5 e 85
  • Sobrepeso: entre o percentil 85 e 95
  • Obesidade: acima do percentil 95

Qual é o índice de obesidade infantil no Brasil e no mundo?

A prevalência da obesidade infantil aumentou drasticamente nas últimas décadas. De acordo com um estudo da revista médica The Lancet, a taxa de obesidade infantil entre meninas aumentou de 0,7% em 1975 para 5,6% em 2016. Nos meninos, a elevação foi ainda mais significativa, saltando de 0,9% para 7,8% no mesmo período. Atualmente, cerca de 124 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo estão obesos.

No Brasil, entre 1975 e 2016, a obesidade infantil cresceu de 0,93% para 12,7% entre os meninos e de 1,0% para 9,37% entre as meninas. Em contraste, Portugal teve uma taxa de obesidade infantil de 11,7% em 2017, mas a tendência é de queda. Nos Estados Unidos, 13,7% das crianças em idade pré-escolar, 18,7% em idade escolar e 20,6% dos adolescentes estão obesos.

Crianças obesas serão adultos obesos?

A probabilidade de crianças obesas se tornarem adultos obesos é alta, especialmente se os pais também tiverem sobrepeso. Estudos indicam que:

  • Crianças obesas na pré-escola têm 4 vezes mais chances de serem obesas na 8ª série.
  • Quase 50% das crianças com obesidade severa na pré-escola permanecem obesas até a adolescência.
  • 70% das crianças com obesidade severa aos 6 anos se tornam obesas na vida adulta.

Causas da obesidade infantil

A principal causa da obesidade infantil é o desequilíbrio entre as calorias consumidas e as calorias gastas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa epidemia é atribuída a fatores como:

  • Alterações na dieta das crianças, com maior consumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares.
  • Diminuição da atividade física devido ao aumento do tempo em atividades sedentárias, como videogames e televisão.

Outros fatores relacionados incluem:

  • Sedentarismo e falta de exercícios físicos.
  • Consumo excessivo de refrigerantes e bebidas açucaradas.
  • Dieta pobre em frutas e vegetais.
  • Fatores genéticos e familiares.
  • Pobreza, que pode limitar o acesso a alimentos saudáveis.
  • Estresse psicológico e menor duração do sono.

Complicações da obesidade infantil

A obesidade infantil está associada a uma série de complicações de saúde, incluindo:

  • Diabetes tipo 2
  • Síndrome metabólica
  • Hipertensão
  • Problemas ortopédicos
  • Dificuldades respiratórias, como apneia do sono
  • Baixa autoestima e problemas psicológicos, como ansiedade e depressão

Tratamento e prevenção

O tratamento da obesidade infantil foca em mudanças de estilo de vida. Para crianças com sobrepeso ou obesidade leve, pode não ser necessário perder peso, mas sim manter o peso enquanto crescem. Em casos mais graves, a meta pode ser perder de 0,5 a 1 kg por mês. Algumas estratégias eficazes incluem:

  • Adotar uma dieta equilibrada rica em nutrientes e pobre em açúcares e gorduras saturadas.
  • Incentivar a prática regular de atividades físicas.
  • Envolver toda a família em mudanças de hábitos alimentares.
  • Garantir que a criança tenha uma boa qualidade de sono.
  • Ser paciente e encorajar cada pequena conquista.

Medicamentos para emagrecimento não são recomendados para crianças, mas podem ser considerados em adolescentes com obesidade severa, sob supervisão médica.

Referências

  • Worldwide trends in body-mass index, underweight, overweight, and obesity from 1975 to 2016: a pooled analysis of 2416 population-based measurement studies in 128·9 million children, adolescents, and adults – The Lancet.
  • Childhood obesity: causes and consequences – Journal of family medicine and primary care.
  • Childhood overweight and obesity – World Health Organization.
  • Definition, epidemiology, and etiology of obesity in children and adolescents – UpToDate.
  • Comorbidities and complications of obesity in children and adolescents – UpToDate.
  • Obesity in Children – Medscape.

Nota de Responsabilidade:Os conteúdos apresentados no MedOnline têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.

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