Colestase da Gravidez: Sintomas e Tratamento Eficaz

Colestase da Gravidez: Sintomas e Tratamento

A colestase intra-hepática da gravidez, também conhecida como colestase obstétrica, é uma condição que pode ocorrer durante o terceiro trimestre da gestação, afetando aproximadamente 1% das gestantes. Essa condição é caracterizada por uma disfunção na excreção da bile pelo fígado, resultando no acúmulo de ácidos biliares e bilirrubina na corrente sanguínea da mãe. O surgimento dessa disfunção hepática pode causar desconforto significativo e representa riscos tanto para a mãe quanto para o feto.

O que é a Colestase Intra-Hepática da Gravidez?

A colestase intra-hepática da gravidez é uma condição exclusiva da gestação, que ocorre principalmente no terceiro trimestre e se manifesta por alterações hormonais e, frequentemente, por uma predisposição genética. Durante a colestase, a bile, que é fundamental para a digestão de gorduras e a eliminação de substâncias tóxicas, não é excretada adequadamente, levando a um aumento de ácidos biliares no sangue.

Os glóbulos vermelhos do sangue possuem uma vida útil média de cerca de 120 dias. Após esse período, são degradados no baço, liberando bilirrubina, um pigmento amarelado. Esta bilirrubina é transportada para o fígado, onde é convertida em uma forma que pode ser eliminada através da bile. A colestase é definida pela obstrução ou redução do fluxo biliar, seja intra-hepática ou extra-hepática. A colestase intra-hepática é a que ocorre dentro do fígado, especificamente nos ductos biliares pequenos.

Causas da Colestase Intra-Hepática da Gravidez

O surgimento da colestase obstétrica está associado a uma combinação de fatores hormonais, genéticos e ambientais:

  • Hormônios da gravidez: Os hormônios estrogênio e progesterona aumentam significativamente durante a gestação, especialmente no terceiro trimestre, e podem interferir nos transportadores hepáticos responsáveis pelo fluxo biliar.
  • Predisposição genética: A colestase é mais comum em mulheres com histórico familiar da condição. Estudos mostram que certas etnias, como a mapuche, apresentam uma incidência maior.
  • Fatores ambientais: A colestase é mais frequente em climas frios, sugerindo uma possível ligação com a vitamina D e o metabolismo hepático.

Sintomas da Colestase Intra-Hepática da Gravidez

Os sintomas da colestase geralmente começam no terceiro trimestre e incluem:

  • Coceira intensa: O prurido é o sintoma mais característico, começando nas palmas das mãos e nas solas dos pés, podendo se espalhar pelo corpo.
  • Icterícia: A coloração amarelada da pele e mucosas pode ocorrer em até 25% das gestantes com colestase.
  • Alterações nas fezes e urina: A urina pode se tornar escura, enquanto as fezes podem apresentar coloração clara devido à alteração na excreção biliar.
  • Sintomas sistêmicos: Incluem náuseas, dor abdominal, e cansaço.

Complicações da Colestase Intra-Hepática da Gravidez

A colestase é geralmente considerada benigna para a mãe, mas pode apresentar riscos significativos para o feto, incluindo:

  • Parto prematuro: O aumento dos ácidos biliares pode induzir contrações uterinas precoces.
  • Morte fetal intrauterina: Esta é a complicação mais grave e pode ocorrer sem sinais prévios de sofrimento.

Diagnóstico da Colestase Intra-Hepática da Gravidez

O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica e exames laboratoriais, com a dosagem dos ácidos biliares totais no sangue sendo o teste mais importante. Considera-se a presença de colestase quando os níveis estão acima de 10 µmol/L.

Tratamento da Colestase Obstétrica

O tratamento visa aliviar os sintomas maternos e reduzir os riscos para o feto. O ácido ursodesoxicólico é o principal medicamento utilizado, ajudando a normalizar os níveis de ácidos biliares e a aliviar a coceira. Além disso, a suplementação de vitamina K pode ser indicada para evitar complicações relacionadas à coagulação.

Recomendações para o Manejo da Gravidez

É fundamental realizar um acompanhamento rigoroso durante a gestação, com monitoramento semanal dos níveis de ácidos biliares e ultrassonografias para avaliar o bem-estar fetal. A indução do parto pode ser considerada entre 36 e 37 semanas, dependendo da gravidade da colestase.

Referências

  • Intrahepatic cholestasis of pregnancy: maternal and fetal outcomes associated with elevated bile acid levels – American Journal of Obstetrics & Gynecology.
  • Intrahepatic cholestasis of pregnancy explained – Society for Maternal-Fetal Medicine.
  • Cholestasis of Pregnancy – American Pregnancy Association.
  • Intrahepatic Cholestasis of Pregnancy – Medscape.
  • Hepatic, Biliary, and Pancreatic Disorders. in: Williams Obstetrics – Twenty-Fifth Edition. McGraw-Hill Education, 2018.

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