
O câncer de fígado é um dos tipos de câncer mais prevalentes em todo o mundo e, segundo um estudo realizado na Universidade Chinesa de Hong Kong, a maioria de seus casos pode ser evitada. A pesquisa indica que até 60% dos diagnósticos de câncer no fígado são evitáveis por meio da prevenção ou tratamento de fatores de risco conhecidos.
Fatores de Risco para o Câncer de Fígado
Os principais fatores de risco associados ao câncer de fígado incluem:
- Infecções por hepatite viral, principalmente hepatite B e C;
- Abuso de álcool;
- Acúmulo de gordura no fígado, frequentemente relacionado à obesidade.
Os tumores malignos no fígado são o sexto tipo de câncer mais comum globalmente e a terceira principal causa de morte por câncer. Em alguns países, a incidência é alarmante, como na China, que representa mais de 40% dos casos mundiais, em grande parte devido à alta disseminação da hepatite B.
Projeções Futuras e Desafios no Tratamento
Sem intervenções eficazes, as previsões são preocupantes: estima-se que os casos de câncer de fígado quase dobrem até 2050, atingindo mais de 1,5 milhão de novos casos anualmente. O fígado desempenha um papel crucial na purificação do sangue e, quando afetado por câncer, o tratamento se torna extremamente desafiador. As taxas de sobrevida em cinco anos para pacientes com câncer de fígado variam entre 5% e 30%.
A Doença Hepática Esteatótica e suas Implicações
Uma condição que contribui para o desenvolvimento do câncer de fígado é a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Essa condição está frequentemente ligada à obesidade, que continua a crescer em taxas alarmantes. Pesquisadores apontam que até um terço da população mundial pode apresentar algum nível de MASLD (Distúrbio de Atrofia Muscular Sistêmica do Tipo A), e com o aumento da obesidade, os casos dessa doença tendem a se multiplicar. A previsão é que até 2040, 55% da população americana possa ser afetada por MASLD, elevando, assim, os riscos de desenvolver câncer de fígado.
Avanços no Combate às Hepatites Virais
Por outro lado, os avanços na vacinação e tratamento das hepatites virais B e C têm mostrado resultados positivos, reduzindo sua relação com os casos de câncer de fígado. Os autores do estudo destacam que a proporção de cânceres de fígado associados à hepatite B deve cair de 39% em 2022 para 37% em 2050, enquanto os casos relacionados à hepatite C devem diminuir de 29% para 26% no mesmo período. A implementação de campanhas de vacinação e o rastreamento eficaz para tratar a hepatite C são fundamentais para essa queda.
Importância da Prevenção e Diagnóstico Precoce
Além do tratamento das hepatites, o diagnóstico e manejo da MASLD são essenciais para reduzir a incidência do câncer de fígado. Apenas uma diminuição de 2% a 5% nos casos de câncer de fígado anualmente poderia evitar entre 9 a 17 milhões de novos casos até 2050, resultando em até 15 milhões de vidas salvas.
Esses dados enfatizam a necessidade urgente de estratégias de saúde pública para abordar os fatores de risco, promover a vacinação contra hepatite e garantir o diagnóstico precoce de condições associadas, como a MASLD. A luta contra o câncer de fígado começa com a prevenção e a conscientização.
Fonte: The Lancet. DOI: 10.1016/S0140-6736(25)01042-6.
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