
Coqueluche: O que é, Transmissão, Sintomas e Tratamento
A coqueluche, também conhecida como pertússis ou tosse convulsa, é uma infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa, causada pela bactéria Bordetella pertussis. Esta condição provoca crises intensas e prolongadas de tosse, que podem durar semanas ou até meses, afetando principalmente bebês e crianças pequenas, mas também podendo impactar adolescentes e adultos.
Antes da introdução da vacina na década de 1940, a coqueluche era uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Embora a vacinação tenha reduzido significativamente a incidência da doença, a coqueluche ainda representa um desafio global, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 24 milhões de pessoas são infectadas anualmente, sendo mais prevalente em regiões da África e do Sudeste Asiático.
No Brasil, a notificação de casos de coqueluche oscila de ano para ano, com surtos ocorrendo em períodos de baixa cobertura vacinal. A maior parte dos casos graves se concentra em crianças que não foram vacinadas ou que possuem esquema vacinal incompleto.
Transmissão da Coqueluche
A coqueluche é transmitida exclusivamente entre seres humanos, pois a Bordetella pertussis não infecta animais nem sobrevive fora do corpo humano por longos períodos. A transmissão ocorre principalmente por via aérea, através de gotículas expelidas por pessoas infectadas ao tossir, espirrar ou falar. Essas partículas microscópicas podem permanecer no ar, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados.
O período de maior contagiosidade coincide com a fase inicial da doença, chamada de estágio catarral, onde os sintomas se assemelham a um resfriado comum. Isso pode dificultar o diagnóstico precoce. A transmissão também pode ocorrer através do contato com superfícies contaminadas, embora essa via seja menos relevante.
Fatores de Risco e Prevenção
Alguns grupos têm maior risco de transmitir a doença:
- Adultos e adolescentes que foram vacinados na infância, mas não receberam reforços.
- Bebês não vacinados ou com vacinação incompleta, que são mais vulneráveis e propensos a formas graves da doença.
Para prevenir a transmissão da coqueluche, é importante:
- Higienizar as mãos frequentemente, especialmente após contato com secreções respiratórias.
- Evitar contato próximo com pessoas que apresentam tosse intensa.
- Manter a vacinação atualizada, incluindo as doses de reforço para adolescentes, adultos e gestantes.
- Usar máscara em ambientes de risco elevado.
Sintomas da Coqueluche
Os sintomas da coqueluche se desenvolvem em três fases distintas:
1. Estágio Catarral (1 a 2 semanas)
Nesta fase inicial, os sintomas são similares aos de um resfriado comum, o que pode dificultar o diagnóstico. Os sintomas incluem:
- Febre baixa ou ausente.
- Coriza.
- Espíritos frequentes.
- Mal-estar geral.
2. Estágio Paroxístico (2 a 6 semanas)
Durante esta fase, a tosse se intensifica, caracterizando a coqueluche. As crises de tosse podem ser exaustivas e incluem:
- Crises intensas de tosse seca.
- Dificuldade para respirar.
- Som agudo ao inspirar após a tosse.
- Vômitos ao final das crises.
3. Estágio de Convalescença (2 a 4 semanas ou mais)
Nesta fase, as crises de tosse diminuem, mas episódios residuais podem persistir. A recuperação pode levar semanas, mesmo após a eliminação da bactéria.
Complicações da Coqueluche
As complicações da coqueluche são mais frequentes em bebês menores de 6 meses e podem incluir:
- Pneumonia bacteriana secundária.
- Apneia (pausas respiratórias).
- Convulsões.
Em adultos, as complicações graves são raras, mas podem ocorrer fraturas de costela e incontinência urinária devido ao esforço da tosse intensa.
Tratamento da Coqueluche
O tratamento da coqueluche depende da fase da doença e da gravidade dos sintomas. O suporte clínico inclui:
- Hidratação adequada.
- Oxigenação.
- Nutrição apropriada.
Antibióticos, como azitromicina e claritromicina, são eficazes quando iniciados precocemente e ajudam a reduzir a transmissibilidade da doença.
Vacinação contra Coqueluche
A vacinação é a principal forma de prevenção. O esquema vacinal no Brasil inclui 5 doses da vacina DTPw, que protege contra coqueluche, difteria e tétano. A vacinação de gestantes é especialmente recomendada para proteger os recém-nascidos, transferindo anticorpos que conferem proteção nas primeiras semanas de vida.
Embora a vacina não ofereça proteção permanente, a imunização ajuda a desenvolver formas mais leves da doença e reduz o risco de complicações graves.
Referências
- Pertussis (Whooping Cough) – CDC.
- Pertussis – World Health Organization.
- Doenças infecciosas e parasitárias – Guia de bolso 8a edição revista – Ministério da Saúde.
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