
Excesso na Estética e a Era da Desarmonização Facial
O aumento significativo na realização de procedimentos estéticos tem gerado resultados alarmantes, transformando rostos a ponto de torná-los irreconhecíveis. Este fenômeno deu origem a um novo movimento na estética: a desarmonização facial. A especialista em estética avançada e dermatológica, Elisângela Cozzer, alerta que a busca incessante por padrões irreais tem levado pacientes a resultados difíceis de reverter.
O Que é Desarmonização Facial?
De acordo com Elisângela, a desarmonização é uma consequência direta de uma fase marcada pelo exagero em procedimentos que deveriam simplesmente realçar a beleza natural. O que era para ser uma valorização das características individuais acabou se transformando em modificações excessivas, tanto por parte dos desejos dos pacientes quanto por falhas na condução profissional dos procedimentos.
Quando a Harmonização se Torna Excesso
A harmonização facial surgiu com a proposta de valorizar traços únicos sem descaracterizar a fisionomia. No entanto, a técnica se popularizou rapidamente, levando a uma repetição indiscriminada de procedimentos. Elisângela observa que, atualmente, muitas celebridades estão revertendo preenchimentos e buscando restaurar suas características originais. “A moda leva ao excesso, e muitas pessoas já não reconhecem mais seu próprio rosto. A harmonização deveria ser uma maneira de realçar o que a pessoa já possui, e não transformá-la em outra pessoa”, afirma a especialista.
O Papel do Profissional de Estética
A responsabilidade pela desarmonização facial não pode ser atribuída somente ao desejo do paciente. Existem casos em que distúrbios de imagem, como o dismorfismo, fazem com que a pessoa veja defeitos que não existem de fato. Contudo, a responsabilidade final recai sobre o profissional que realiza o procedimento. Elisângela compara a situação a uma consulta médica: “Não cabe ao paciente decidir a medicação ou dosagem. O profissional tem o conhecimento técnico necessário para determinar o que deve ser feito”, explica.
Quando sinais de distúrbio de imagem são identificados, é fundamental que o profissional encaminhe o paciente para um psicólogo ou psiquiatra, como parte do cuidado integral.
É Possível Corrigir os Exageros?
Elisângela esclarece que alguns excessos podem ser revertidos, mas com limitações. Por exemplo, no caso do ácido hialurônico, é possível usar a hialuronidase para remover o produto. No entanto, esse procedimento pode deixar sequelas, como flacidez na pele, e a aparência da pessoa pode não retornar completamente às características originais. Mesmo a cirurgia plástica tem suas restrições. “É possível reestruturar a pele e os músculos, mas a recuperação total das características originais é improvável”, resume.
O Impacto das Redes Sociais e Filtros Digitais
As redes sociais desempenham um papel crucial nesse contexto de desarmonização facial. Elisângela relata que é comum receber pacientes que trazem fotos de celebridades solicitando um rosto idêntico. Ela destaca que fatores como genética, idade e até mesmo filtros digitais tornam essa comparação irreal. “Os filtros afinam o rosto, aumentam os olhos e criam uma imagem que não existe no espelho”, diz a especialista. O uso constante desses recursos pode afastar a pessoa de sua própria imagem, contribuindo para o desmorfismo.
Por isso, Elisângela defende a redução do uso de filtros e a valorização do espelho, enfatizando a importância de se reconhecer como realmente se é.
Um Caminho Mais Seguro: A Estética Natural
Para evitar a desarmonização, a orientação é clara: buscar profissionais capacitados, priorizar a segurança e adotar uma estética mais humanizada. Elisângela sugere que tecnologias modernas podem auxiliar nesse processo, como simulações que mostram resultados sutis antes da realização do procedimento, sempre com a decisão final do profissional. Ela também aponta uma mudança no mercado, onde produtos que duram menos tempo permitem ajustes gradativos.
A filosofia deve ser a de fazer aos poucos, observar os resultados e evitar exageros. “O menos é mais. Quando o foco está no bem-estar, saúde e naturalidade, a estética contribui para uma autoestima mais sólida e verdadeira”, conclui a especialista.
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