Gastrite Sintomas Causas e Como Tratar Eficazmente

Ilustração sobre gastrite com elementos como estômago inflamado, sintomas e fatores de risco.

O que acontece no estômago durante a gastrite?

O estômago possui uma camada de muco que o protege do ácido que ele mesmo produz. Quando essa proteção é comprometida, o ácido entra em contato direto com as células da mucosa, causando inflamação e irritação. Esse quadro pode se manifestar rapidamente, caracterizando a gastrite aguda, ou de forma mais lenta e progressiva, resultando na gastrite crônica. A gastrite crônica, se não tratada, pode levar à atrofia da mucosa gástrica, que implica na perda das células responsáveis pela produção de ácido e do fator intrínseco, essencial para a absorção da vitamina B12.

Tipos de gastrite

A gastrite pode ser classificada de acordo com a duração, a causa e as características histológicas. Os tipos mais relevantes incluem:

Gastrite aguda

Essa forma de gastrite surge rapidamente e geralmente possui uma causa identificável, como o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) — por exemplo, ibuprofeno e aspirina —, consumo excessivo de álcool, estresse intenso ou ingestão de substâncias irritantes. A gastrite aguda tende a melhorar com a remoção do fator causador. Por exemplo, uma pessoa que utiliza ibuprofeno por um longo período pode desenvolver dor e náusea, que desaparecem ao interromper o uso do medicamento.

Gastrite crônica

A gastrite crônica persiste por meses ou anos. A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é a causa mais comum, afetando mais de 60% da população adulta brasileira. Essa forma de gastrite pode evoluir para atrofia gástrica, metaplasia intestinal e, em poucos casos, para adenocarcinoma gástrico.

Gastrite erosiva

Caracterizada por erosões superficiais na mucosa, ainda não atingindo a profundidade de uma úlcera. Frequentemente associada ao uso de AINEs, pode apresentar sangramentos, como hematêmese (vômito com sangue) ou melena (fezes escuras devido ao sangue digerido).

Gastrite autoimune

Neste tipo, o sistema imunológico ataca as células parietais do estômago, resultando na produção insuficiente de ácido e fator intrínseco, levando à deficiência de vitamina B12 e, consequentemente, à anemia perniciosa. Embora menos comum, é frequentemente subdiagnosticada e mais prevalente em mulheres, podendo estar associada a outras doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto.

Gastrite por H. pylori

Esta é a forma mais comum de gastrite crônica mundialmente. A bactéria coloniza a mucosa gástrica, produzindo toxinas que danificam a camada protetora e causam inflamação persistente. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados, ou pelo contato próximo com indivíduos infectados. A erradicação dessa bactéria geralmente resolve a gastrite na maioria dos casos.

Gastrite nervosa

A gastrite nervosa refere-se aos sintomas gástricos que são desencadeados ou agravados pelo estresse e pela ansiedade. Embora não seja um diagnóstico médico formal, a condição demonstra como o estado emocional afeta o sistema digestivo, através do eixo cérebro-intestino. O estresse crônico pode aumentar a produção de cortisol, reduzindo o muco protetor da mucosa gástrica e aumentando a sensibilidade à dor visceral, resultando em sintomas como dor epigástrica, náusea e queimação, mesmo na ausência de lesões visíveis na endoscopia.

Causas e fatores que irritam a mucosa gástrica

Além da Helicobacter pylori e dos AINEs, diversos fatores podem causar ou agravar a gastrite:

  • Consumo excessivo de álcool: o etanol danifica diretamente as células da mucosa e inibe a produção de muco protetor.
  • Tabagismo: a nicotina diminui o fluxo sanguíneo para a mucosa, dificultando a cicatrização.
  • Estresse crônico: altera a motilidade gástrica e a produção de muco.
  • Uso prolongado de corticoides: esses medicamentos reduzem a síntese de prostaglandinas protetoras da mucosa.
  • Refluxo biliar: a bile do duodeno pode irritar a mucosa gástrica.
  • Dieta irregular: longos períodos em jejum expõem a mucosa ao ácido gástrico.
  • Alimentos irritantes: consumo excessivo de pimenta, café, álcool e alimentos muito ácidos.
  • Doenças sistêmicas: condições como doença de Crohn e sarcoidose podem afetar o estômago.
  • Radioterapia abdominal: pode causar gastrite actínica.

Sintomas da gastrite

Um dado surpreendente é que muitas gastrites, especialmente as crônicas causadas por H. pylori, não apresentam sintomas. Quando os sintomas se manifestam, os mais comuns incluem:

  • Desconforto ou dor na região epigástrica, que pode ser descrita como queimação ou pontada.
  • Náusea, com ou sem vômito.
  • Sensação de empachamento após refeições pequenas.
  • Eructações frequentes.
  • Perda de apetite.
  • Azia ou queimação que pode subir para o peito.
  • Vômito com sangue ou material semelhante a borra de café, que requer atenção médica imediata.
  • Fezes escuras e com odor forte, sinal de sangramento digestivo.

A presença de vômito com sangue e fezes escuras exige avaliação médica urgente, preferencialmente em um pronto-socorro.

Como é feito o diagnóstico de gastrite?

O diagnóstico eficaz de gastrite é realizado por meio da endoscopia digestiva alta (EDA), que permite a observação direta da mucosa do esôfago, estômago e duodeno. Durante o exame, é possível realizar biópsias para análise histológica e pesquisa de H. pylori. Embora nem todos os pacientes com suspeita de gastrite necessitem de endoscopia imediata, a realização do exame é indicada em casos como:

  • Idade acima de 45 anos com novos sintomas dispépticos.
  • Sinais de alarme, como perda de peso não intencional, dificuldade para engolir ou sangramento.
  • Sintomas persistentes que não melhoram com tratamento inicial.
  • Histórico familiar de câncer gástrico.
  • Uso crônico de AINEs com suspeita de lesão na mucosa.

Como tratar a gastrite?

O tratamento da gastrite depende da sua causa. A automedicação prolongada com antiácidos ou inibidores de bomba de prótons (IBPs) sem uma investigação adequada não é recomendada. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico.

Erradicação do H. pylori

Quando a gastrite é causada pela H. pylori, o tratamento padrão envolve a terapia tripla: dois antibióticos (geralmente claritromicina e amoxicilina) e um inibidor de bomba de prótons, administrados por 10 a 14 dias. A eficácia do tratamento é confirmada pelo teste do sopro entre 4 a 8 semanas após o término da terapia. É importante mencionar que a taxa de sucesso da terapia tem diminuído devido ao aumento da resistência bacteriana à claritromicina.

Inibidores de bomba de prótons (IBP)

Os IBPs, como omeprazol, pantoprazol, esomeprazol e lansoprazol, são utilizados para reduzir a produção de ácido gástrico e são fundamentais no tratamento de gastrite sintomática. Embora sejam eficazes e bem tolerados a curto prazo, o uso prolongado sem necessidade pode acarretar riscos, como deficiências nutricionais e maior predisposição a infecções intestinais.

Protetores da mucosa e antiácidos

Medicamentos como sucralfato e bismuto atuam formando uma camada protetora sobre a mucosa lesionada, enquanto antiácidos, como hidróxido de alumínio e magnésio, neutralizam o ácido já produzido, proporcionando alívio imediato dos sintomas, mas não tratam a causa subjacente.

Suspensão de fatores agravantes

Interromper ou substituir o uso de AINEs, reduzir o consumo de álcool, parar de fumar e manejar o estresse são medidas essenciais para o tratamento da gastrite. Sem a remoção do fator causador, qualquer medicamento apenas alivia temporariamente os sintomas.

Alimentação na gastrite: o que evitar e o que ajuda?

Não existe uma dieta única para gastrite, pois as restrições devem ser individualizadas de acordo com os gatilhos de cada paciente. No entanto, alguns alimentos e hábitos costumam piorar os sintomas:

  • Café em excesso: pode estimular a produção de ácido.
  • Bebidas alcoólicas: irritam a mucosa diretamente.
  • Alimentos muito apimentados: podem aumentar a irritação.
  • Alimentos muito ácidos: como tomate e laranja, podem agravar os sintomas.
  • Refrigerantes: a carbonatação pode aumentar a pressão intragástrica.
  • Refeições muito grandes: causam distensão do estômago.
  • Jejum prolongado: expõe a mucosa ao ácido sem proteção.

Por outro lado, hábitos que ajudam no controle da gastrite incluem:

  • Realizar refeições em horários regulares e evitar longos períodos sem comer.
  • Mastigar bem os alimentos e comer devagar.
  • Evitar deitar-se imediatamente após as refeições.
  • Optar por preparações cozidas, assadas ou grelhadas.
  • Manter a hidratação adequada durante o dia, evitando beber água durante as refeições.
  • Reduzir o estresse, uma vez que a relação entre estado emocional e sintomas gástricos é bem documentada.

Gastrite e úlcera gástrica: qual a diferença?

A gastrite representa a inflamação superficial da mucosa, enquanto a úlcera péptica é uma lesão mais profunda que forma uma ferida na parede do estômago ou do duodeno. Embora a gastrite crônica não tratada possa evoluir para úlcera, nem toda gastrite leva a esse quadro. As úlceras costumam causar dores mais intensas, especialmente em jejum ou à noite, e apresentam um risco maior de sangramento e perfuração. O diagnóstico de ambas as condições é feito por endoscopia, e o tratamento se sobrepõe em grande parte, embora a úlcera exija um acompanhamento mais rigoroso e um período de tratamento mais longo.

Gastrite crônica e risco de câncer gástrico

A gastrite crônica causada pela H. pylori é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um carcinógeno de grupo 1 para o câncer gástrico. Isso indica que uma infecção não tratada pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer ao longo do tempo. O processo segue a chamada cascata de Correa: gastrite crônica, atrofia gástrica, metaplasia intestinal, displasia e adenocarcinoma. Embora a progressão leve décadas, a erradicação da H. pylori reduz o risco de câncer, especialmente quando realizada antes do desenvolvimento de atrofia ou metaplasia estabelecida.

Gastrite na gestação

Durante a gestação, os sintomas gástricos podem ser exacerbados por diversos fatores, como a progesterona, que relaxa o esfíncter esofágico inferior, favorecendo o refluxo; o crescimento do útero, que comprime o estômago; e as mudanças hormonais que afetam a motilidade digestiva. A maioria dos casos de azia e refluxo na gestação pode ser gerida através de alterações alimentares e, quando necessário, com antiácidos considerados seguros, como o carbonato de cálcio. O uso de IBPs, como o omeprazol, pode ser indicado em casos mais severos, sob orientação médica. O tratamento da H. pylori durante a gravidez geralmente é adiado para após o parto, devido aos antibióticos envolvidos no esquema terapêutico.

CID gastrite

A Classificação Internacional de Doenças (CID) é utilizada para registrar diagnósticos em prontuários e laudos médicos. A gastrite está classificada no CID-10 dentro do grupo K29, que abrange gastrites e duodenites. Os códigos mais frequentemente utilizados incluem:

  • K29.0 para gastrite hemorrágica aguda;
  • K29.1 para outras gastrites agudas;
  • K29.3 para gastrite alcoólica crônica;
  • K29.4 para gastrite atrófica crônica;
  • K29.5 para gastrite crônica não especificada;
  • K29.6 para outras gastrites;
  • K29.7 para gastrite não especificada.

O código K29.5 é comum em atestados e laudos, utilizado quando não há especificação do tipo ou causa da gastrite. Se o diagnóstico for confirmado por endoscopia com biópsia positiva para H. pylori, o médico pode registrar também B96.81, que corresponde à infecção por Helicobacter pylori. A CID é um código administrativo e não determina o tratamento, que deve ser baseado na causa identificada e no estado geral do paciente.

Aviso importante

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Sintomas persistentes de gastrite, sangramentos digestivos, perda de peso ou dificuldade para engolir requerem avaliação clínica e, frequentemente, endoscopia. O uso prolongado de inibidores de ácido deve ser evitado sem uma investigação adequada. Cada caso deve ser analisado e tratado de forma individualizada.

Perguntas frequentes sobre gastrite

Gastrite tem cura?

A cura depende da causa. A gastrite causada pela H. pylori pode ser curada após a erradicação bem-sucedida da bactéria. A gastrite induzida por AINEs melhora com a suspensão do medicamento. Já a gastrite autoimune não tem cura, mas pode ser controlada. A gastrite crônica sem uma causa tratável pode persistir e requer acompanhamento.

Quem tem gastrite pode tomar leite?

O leite pode ser consumido com moderação. Embora alivie temporariamente a azia, pode estimular a produção de mais ácido em seguida, potencialmente piorando os sintomas. Cada paciente deve observar sua própria tolerância.

O que não pode comer com gastrite?

Não existe uma lista única de alimentos proibidos. Entretanto, os que frequentemente agravam os sintomas incluem bebidas alcoólicas, café em excesso, alimentos muito apimentados, frituras, refrigerantes e alimentos ácidos em excesso. O ideal é identificar os próprios gatilhos e evitá-los.

Quais são os 3 tipos de gastrite?

Os principais tipos de gastrite são: gastrite aguda, que surge rapidamente e é geralmente causada por AINEs, álcool ou estresse; gastrite crônica, que persiste por meses ou anos e é comumente causada pela H. pylori; e gastrite atrófica, onde há perda progressiva das células funcionais da mucosa, podendo ser causada pela H. pylori ou por condições autoimunes.

O que é H. pylori e como é tratado?

Helicobacter pylori é uma bactéria que coloniza a mucosa gástrica e causa inflamação crônica. O tratamento padrão é a terapia tripla, que inclui dois antibióticos e um inibidor de bomba de prótons por 10 a 14 dias. A erradicação deve ser confirmada por exames após o tratamento.

Gastrite é contagiosa?

A gastrite em si não é contagiosa, mas a principal causa, o H. pylori, é transmissível. A transmissão ocorre pela via fecal-oral, sendo importante adotar boas práticas de higiene, como lavar as mãos antes de comer.

Estresse causa gastrite?

O estresse não causa gastrite isoladamente, mas pode agravar e perpetuar a inflamação. Ele altera a motilidade gástrica e diminui a produção de muco protetor, aumentando a sensibilidade à dor.

Posso tomar anti-inflamatório com gastrite?

O uso deve ser feito com cautela e sempre sob orientação médica. AINEs podem ser causas comuns de gastrite e úlceras, mas se necessários, podem ser associados a protetores gástricos.

Gastrite dá febre?

A gastrite simples normalmente não causa febre. Se houver febre associada a dor abdominal intensa, isso pode indicar complicações mais graves, como perfuração gástrica, necessitando de avaliação médica urgente.

Café faz mal para quem tem gastrite?

A tolerância ao café varia entre os pacientes. Ele pode estimular a produção de ácido e piorar os sintomas em pessoas sensíveis. Muitas toleram uma xícara por dia, especialmente após as refeições.

Quanto tempo demora para a gastrite curar?

A gastrite aguda geralmente melhora em dias a algumas semanas após a remoção da causa e início do tratamento. A gastrite crônica por H. pylori pode levar de 4 a 8 semanas de tratamento para atingir a remissão. O acompanhamento médico é crucial para determinar a duração do tratamento em cada caso.

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