
Iniciativa do INCA para Rastreamento do Câncer de Pulmão
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) anunciou, em 1º de novembro, o lançamento de um estudo inovador que visa avaliar a viabilidade de um programa de rastreamento para o câncer de pulmão dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Este projeto, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e financiado pela biofarmacêutica AstraZeneca, busca estabelecer diretrizes nacionais para a detecção precoce da doença, com a meta de reduzir a mortalidade associada ao câncer de pulmão.
Objetivos e Metodologia do Estudo
O estudo será conduzido ao longo de dois anos, com o envolvimento de pelo menos 397 pacientes, podendo esse número ser ampliado conforme a evolução da pesquisa. É importante destacar que aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao uso de produtos derivados do tabaco. A seleção dos participantes será realizada em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde, através do Programa de Cessação de Tabagismo, que conta com cerca de 50 mil inscritos.
Rastreio e Tomografia Computadorizada de Baixa Dose
O rastreamento do câncer de pulmão será realizado utilizando a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), que demonstrou reduzir a mortalidade em 20%. Quando combinado com a cessação do tabagismo, essa redução pode atingir até 38%, conforme evidenciado por estudos publicados no Jornal Brasileiro de Pneumologia. A abordagem internacional sugere que o rastreamento focado em populações de alto risco pode diminuir a detecção de casos em estágios avançados de 90% para 30%.
Critérios de Elegibilidade dos Participantes
Os critérios para a seleção dos pacientes seguirão as recomendações do Consenso Médico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT), da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). A pesquisa focará em indivíduos entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes (que pararam de fumar nos últimos 15 anos) e que tenham um histórico de consumo de 20 cigarros diariamente por pelo menos 20 anos.
Acompanhamento e Tratamento
Os pacientes diagnosticados com câncer de pulmão serão acompanhados e tratados no Hospital do Câncer I (HC I), uma das unidades do INCA, que é um centro de referência para o tratamento da doença no Rio de Janeiro e parte da rede de alta complexidade do SUS. O médico epidemiologista Arn Migowski liderará a pesquisa e enfatizou a importância da detecção precoce: “A gente vai tentar detectar cedo, antes de ter sintomas, um câncer de pulmão, e que a pessoa pare de fumar.”
Importância da Parceria Público-Privada
Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca, destacou que as parcerias entre os setores público e privado são essenciais para o fortalecimento do SUS, afirmando que a AstraZeneca não busca apenas fornecer medicamentos, mas também contribuir para a mudança do cenário do câncer no país. O presidente da Aliança Brasileira de Combate ao Câncer de Pulmão, Gustavo Prado, alertou sobre o aumento do tabagismo entre os jovens, especialmente com a introdução de dispositivos eletrônicos, como os vapes, e a necessidade urgente de intensificar as estratégias de prevenção direcionadas a esse público.
Desafios e Estatísticas do Câncer de Pulmão no Brasil
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no Brasil. De acordo com o Atlas de Mortalidade do INCA, em 2024, foram registrados 32.465 óbitos decorrentes de câncer de brônquios e pulmão, um número que ultrapassa a soma das mortes por câncer de próstata e mama no mesmo ano. As estimativas do INCA indicam que o Brasil enfrentará cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente entre 2026 e 2028, destacando a doença como um dos maiores desafios de saúde pública no país.
A elevada taxa de mortalidade do câncer de pulmão está intimamente ligada ao diagnóstico tardio, com cerca de 84% dos casos sendo identificados em estágios avançados, resultando em uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 5,2%.
Referências
Dados do INCA e informações da Agência Brasil foram utilizados para compor este artigo e enriquecer a discussão sobre a importância do rastreamento e prevenção do câncer de pulmão no Brasil.
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