Mortes por Câncer do Colo do Útero Crescem 13,4% no Brasil

Gráfico mostrando o aumento das mortes por câncer do colo do útero no Brasil nos últimos anos

Mortes por câncer do colo do útero no Brasil: um alerta preocupante

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento alarmante nas mortes decorrentes do câncer do colo do útero. Em 2024, foram registradas 7,5 mil mortes relacionadas a essa doença, marcando um crescimento de 13,4% em comparação com o ano anterior, que contabilizou 7,2 mil mortes. Esses dados foram divulgados pelo DATASUS-SIM e estão disponíveis no Observatório da Saúde Pública, uma iniciativa da Umane, que busca fortalecer a saúde pública no país.

Aumento das taxas de mortalidade

O número de óbitos por câncer do colo do útero em 2024 representa o maior índice registrado desde o início da série histórica em 2000, que contabilizou cerca de 3.955 mortes. A tendência de crescimento se intensificou a partir de 2022, levando a um aumento significativo nos índices de mortalidade. As principais vítimas da doença são mulheres com 65 anos ou mais, que representam 32,6% das mortes, além de uma prevalência notável entre mulheres pardas (48,3%) e aquelas com menor escolaridade, com 52,3% delas tendo completado de 0 a 7 anos de estudos.

Exames e vacinação: um desafio contínuo

Dados do inquérito Vigitel de 2024 revelam que 12,5% das mulheres entre 25 e 64 anos nunca realizaram o exame de Papanicolau, o principal método de rastreamento do câncer do colo do útero. A vacinação contra o HPV, considerada a principal estratégia preventiva, apresentou uma cobertura de 79,95% entre crianças de 9 a 14 anos em 2025. Essa taxa é maior entre meninas, com 85,89% de adesão, em comparação com 74,26% entre meninos. Esses números mostram uma evolução em relação a 2024, quando a cobertura era de 75%, com 83% entre meninas e 67% entre meninos.

Desafios e estratégias para a prevenção

Apesar do progresso nas taxas de vacinação e na realização do exame citopatológico, ainda há um desafio significativo em garantir que todas as meninas entre 9 e 14 anos tenham acesso a essas medidas preventivas. Thais Junqueira, Superintendente Geral da Umane, enfatiza a necessidade de políticas públicas integradas que priorizem a prevenção e considerem a diversidade regional, demográfica e os determinantes sociais de gênero. Somente com essas ações será possível enfrentar o desafio e proporcionar saúde, qualidade de vida e longevidade a essa parcela da população.

Iniciativas em andamento para erradicação da mortalidade

Com a meta de erradicar a mortalidade de mulheres por câncer do colo do útero até 2030, o projeto Unidos pela Eliminação do Câncer de Colo do Útero está em expansão no Ceará, especialmente em municípios da região de saúde de Caucaia. A estratégia foca em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, visando uma cobertura vacinal contra o HPV de 90% e de 40% para rastreamento. Em 2025, as metas de vacinação já foram superadas nos municípios piloto, como Paracuru e São Gonçalo do Amarante, para ambos os sexos.

Reconhecimento e apoio às iniciativas

Embora os dados da região de saúde de Caucaia ainda estejam em evolução, com 80,1% de cobertura para meninas e 69,7% para meninos, a iniciativa faz parte do movimento Juntos Contra o HPV, idealizado pelo Grupo Mulheres do Brasil. Este movimento está inserido no programa Juntos pela Saúde, do BNDES, e é gerido em parceria com a Umane. Em dezembro de 2025, o projeto foi reconhecido pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) como uma das principais iniciativas educacionais em epidemiologia aplicadas aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

Conclusão

O crescimento das mortes por câncer do colo do útero no Brasil é um alerta que não pode ser ignorado. A implementação de políticas eficazes de saúde pública, a promoção da vacinação e a realização de exames preventivos são fundamentais para combater essa doença e garantir a saúde das mulheres brasileiras. Com um esforço conjunto, é possível reverter essa tendência e proporcionar um futuro mais saudável para todas.

Referências

Dados do DATASUS-SIM, Observatório da Saúde Pública da Umane, inquérito Vigitel 2024, e informações do Ministério da Saúde.


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