
As glândulas de Bartholin são estruturas essenciais localizadas na vulva, a parte externa da genitália feminina, cuja principal função é a produção de um fluido mucoso que desempenha um papel importante na lubrificação e umidificação da vulva, especialmente durante o ato sexual. Estas glândulas são pequenas, com tamanho que normalmente não ultrapassa o de uma ervilha, e em condições normais, não são visíveis ou palpáveis. Cada uma das glândulas possui ductos que transportam o muco produzido, com aproximadamente 2,5 cm de comprimento e orifícios de saída com 0,5 cm de diâmetro, posicionados nas marcas de 4h e 8h, caso se pense na vagina como um relógio.
As doenças que afetam a glândula de Bartholin geralmente ocorrem quando um ou ambos os ductos ficam obstruídos, o que impede a eliminação do muco. As complicações mais comuns resultantes dessa obstrução são o cisto de Bartholin e o abscesso da glândula de Bartholin, também conhecido como bartolinite. Tumores sólidos na glândula de Bartholin, sejam benignos ou malignos, são extremamente raros e não serão abordados neste artigo.
O que é o cisto de Bartholin?
Um cisto de Bartholin se forma quando o orifício de saída da glândula é obstruído, resultando na retenção do muco ao redor da glândula. Essa condição leva à formação de uma tumoração cheia de líquido. Estima-se que cerca de 2% das mulheres em idade fértil desenvolvam um cisto de Bartholin. É importante notar que as crianças raramente desenvolvem esse problema, uma vez que as glândulas de Bartholin não começam a funcionar até a puberdade. Após a menopausa, a incidência de cistos é também incomum, pois as glândulas tendem a se atrofiar e perder a função com a idade.
Quais são os sintomas do cisto de Bartholin?
Os cistos de Bartholin frequentemente são assintomáticos, especialmente quando são pequenos. Quando um cisto cresce além de 1 cm, a mulher pode notar um pequeno nódulo em um dos pequenos lábios, que geralmente é indolor. Cistos maiores que 3 cm podem causar desconforto ao toque ou dor durante a relação sexual, além de gerar incômodo ao andar ou sentar.
É necessário tratar o cisto de Bartholin?
O tratamento não é necessário para cistos assintomáticos. Em tais casos, recomenda-se apenas a realização de banhos de assento com água morna e a manutenção da higiene da área para evitar contaminação. A maioria dos cistos desaparece espontaneamente após alguns dias. No entanto, se o cisto crescer significativamente ou causar desconforto, ele pode ser drenado por meio de uma pequena incisão. Para mulheres acima de 45 anos, é fundamental que um médico avalie a lesão, já que pode ser um tumor e não um cisto simples. Nesses casos, uma biópsia pode ser necessária para descartar carcinoma vulvar.
O que é o abscesso da glândula de Bartholin (bartolinite)?
O abscesso da glândula de Bartholin ocorre quando o líquido acumulado no cisto se contamina com bactérias, tornando-se purulento. Essa condição, conhecida como bartolinite, resulta em inflamação das glândulas de Bartholin. Os abscessos podem surgir sem a presença de cistos visíveis e são três vezes mais frequentes do que os cistos. As bactérias que mais comumente causam a infecção são a Escherichia coli, além de bactérias que habitam a pele, como o Staphylococcus aureus e Streptococcus spp. Infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia e clamídia, também são potenciais agentes causadores de bartolinite.
Sintomas da bartolinite
Os sintomas de um abscesso incluem dor intensa, inchaço, vermelhidão e calor na região afetada. A febre é menos comum, ocorrendo em cerca de 20% dos casos. Em algumas situações, o abscesso pode drenar espontaneamente, aliviando os sintomas. Se houver corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, é fundamental que um ginecologista considere a possibilidade de uma DST como causa da bartolinite.
Tratamento do abscesso da glândula de Bartholin
Diferentemente dos cistos, que geralmente não requerem tratamento, o abscesso da glândula de Bartholin costuma necessitar de intervenção médica. Se o abscesso for pequeno e pouco doloroso, banhos de assento podem ajudar na drenagem espontânea. Contudo, na maioria dos casos, a bartolinite requer drenagem cirúrgica, realizada sob anestesia local. Após a drenagem, um pequeno cateter de borracha pode ser inserido para evitar o reacúmulo de pus, e este é geralmente retirado após seis semanas. A necessidade de antibióticos depende da avaliação médica, e várias opções estão disponíveis, dependendo da gravidade e da causa da infecção.
Se a paciente apresentar recorrência do abscesso após um tratamento eficaz, uma técnica cirúrgica chamada marsupialização pode ser considerada. Nesse procedimento, uma pequena incisão é feita e as bordas são suturadas para manter um orifício aberto, permitindo a drenagem contínua dos fluidos. Em casos extremos, a remoção da glândula de Bartholin pode ser necessária, embora essa seja uma medida rara.
Referências bibliográficas
- Benign vulvar tumors – Best practice & research. Clinical obstetrics & gynaecology.
- Bartholin Duct Cyst and Gland Abscess: Office Management – American Family Physician.
- Lesions of the Bartholin gland: a review – Journal of lower genital tract disease.
- Clinical Pathology of Bartholin’s Glands: A Review of the Literature – Current urology.
- Bartholin gland masses: Diagnosis and management – UpToDate.
- Bartholin gland cyst and abscess: Word catheter placement – UpToDate.
- Vulvar abscess – UpToDate.
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