Por que as Farmacêuticas Estão Investindo em Branding

Logo da EMS em campanha de branding destacando inovação e responsabilidade social

O Crescente Investimento em Branding pelas Farmacêuticas

Nos últimos anos, as empresas farmacêuticas têm intensificado suas estratégias de branding, refletindo uma mudança significativa na forma como se comunicam com o público. Segundo a consultoria 360iResearch, o mercado de marketing farmacêutico deve crescer para US$ 56,37 bilhões globalmente até 2032. Esse cenário é impulsionado por regulamentações cada vez mais rigorosas e a necessidade de se conectar com o consumidor final de maneira mais significativa.

Transformações no Comportamento do Consumidor

De acordo com Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, a mudança no comportamento da sociedade, aliada ao avanço tecnológico, está reformulando a percepção sobre as farmacêuticas. Antes vistas apenas como fabricantes de medicamentos, essas empresas agora assumem um papel mais abrangente na jornada de saúde dos consumidores. “Hoje, o consumidor busca informação de qualidade, acompanhamento e uma relação de confiança com as marcas”, afirma Sanchez.

Esse novo paradigma exige que as farmacêuticas desenvolvam soluções que vão além do simples fornecimento de produtos. A ênfase está em abordar as necessidades reais dos pacientes com responsabilidade e inovação.

Campanhas Institucionais e Novas Abordagens

A EMS, por exemplo, lançou recentemente uma nova campanha institucional chamada “É Mais Saúde”, criada pela Africa Creative. Essa campanha não apenas destaca a evolução da empresa ao longo dos anos, mas também sublinha seus investimentos em inovação, pesquisa e novas áreas terapêuticas. “Queríamos que essa transformação também fosse percebida pelo público”, explica Sanchez.

Nos próximos meses, a EMS planeja desdobrar essa comunicação em diversas plataformas, reafirmando seu compromisso como uma farmacêutica brasileira centrada em inovação, tecnologia e responsabilidade social.

A Importância da Credibilidade e da Comunicação

Com a crescente competição no setor, o papel da comunicação se torna ainda mais crucial. Em 2025, a EMS foi destacada entre os maiores anunciantes do Brasil, utilizando a jornalista Fátima Bernardes para representar a marca. Essa estratégia visa não apenas aumentar o alcance, mas também abordar temas relevantes para a sociedade, promovendo uma comunicação responsável.

Outras farmacêuticas, como a Cimed, também têm adotado essa abordagem. A empresa, que patrocina a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), viu um crescimento de 85,6% nas vendas de seu produto Carmed Seleções, ligado à temática da Copa do Mundo. “Hoje não competimos só por espaço de gôndola, mas por um espaço dentro da rotina e dos hábitos dos consumidores”, afirma Pedro Felmanas, diretor de branding e inovação da Cimed.

Os Desafios da Economia da Atenção

O setor farmacêutico enfrenta desafios significativos, como a avalanche de informações e a disseminação de fake news. Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 53% dos brasileiros utilizam as redes sociais como fonte de informação sobre saúde, número que sobe para 66% entre os jovens. Essa realidade destaca a responsabilidade das farmacêuticas em fornecer informações precisas e educar o público de forma eficaz.

A inteligência artificial também tem um papel crescente nesse cenário, com empresas como OpenAI e Google desenvolvendo modelos voltados para saúde. Essa evolução reforça a necessidade de as farmacêuticas manterem a credibilidade como seu principal ativo.

Compromisso com a Educação em Saúde

Segundo o VP da EMS, a comunicação vai além do institucional; é um compromisso com a educação em saúde. As empresas estão se dedicando a disseminar informações confiáveis e a incentivar os pacientes a buscarem orientação profissional. Felmanas, da Cimed, observa que o consumidor atual é mais consciente e questionador, o que representa uma oportunidade para as farmacêuticas compartilharem informações corretas.

A Corrida por Inovação e Transparência

A recente queda da patente da semaglutida, um princípio ativo utilizado em medicamentos como Ozempic e Wegovy, intensificou a competição entre farmacêuticas brasileiras e internacionais. Com um aumento no debate sobre obesidade e doenças metabólicas, as empresas têm a responsabilidade de dialogar de forma transparente sobre inovação e uso responsável de tratamentos.

A Cimed, por exemplo, está expandindo seu portfólio para incluir vitaminas e suplementos que atendam às necessidades dos consumidores que utilizam esses novos medicamentos.

O Papel do Balconista e do Médico na Relação com o Consumidor

Tradicionalmente, o setor farmacêutico se apoiou na figura do balconista e do médico como intermediários entre o consumidor e o produto. O estudo do Datafolha mostra que médicos e instituições de saúde ainda são as principais fontes de informação, com 38% e 42% das menções, respectivamente. A credibilidade continua sendo um atributo essencial, especialmente em um ambiente tão regulado.

As farmacêuticas estão investindo em treinamento para balconistas e em comunicação baseada em evidências. “Esse ambiente regulado fortalece a confiança da sociedade e contribui para elevar os padrões de qualidade de toda a indústria”, destaca Sanchez, enfatizando a necessidade de equilibrar inovação, agilidade e comunicação.


Nota de Responsabilidade:Os conteúdos apresentados no MedFoco têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.

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